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Impacto da guerra no Irão: "Vai chegar rapidamente ao setor alimentar"
O antigo ministro da Economia, Pedro Reis, alerta para os impactos na economia da intervenção no Irão por parte dos Estados Unidos da América (EUA) e de Israel.
Fotografia: Jorge Carmona
O antigo responsável pela pasta da economia, no Governo da AD, adianta que “se a convulsão for mais longa, poderá até atingir o turismo português. Temos um ambiente mais recessivo".
Todos os intervenientes no programa Consulta Pública mostraram dúvidas sobre o fim da guerra no Irão.
Na opinião do Major-General Raul Cunha, especialista em Estratégia e Defesa, "os iranianos têm um arsenal de mísseis substancial. E com o stock de mísseis intercetores por parte de Israel e dos Estados Unidos a esgotarem-se. Não sei quem vai desistir primeiro”. “Podemos estar perante um conflito que se pode arrastar meses, mais pela parte do Irão", conclui.
Também João Henriques afirma que "não acredito que este conflito pare tão rapidamente”. O presidente-executivo do Observatório do Mundo Islâmico e membro do OSCOT acrescenta que "Portugal não está em perigo de qualquer agressão porque tem mantido alguma equidistância".
Para Jorge Torres Pereira "há aqui um dilema”. O embaixador e antigo representante de Portugal junto da Autoridade Palestiniana destaca que “Israel pretende ir até ao fim, que é o colapso do regime. Os EUA quando tiverem obliterado as capacidades militares do Irão, perturbando a cadeia de comando, os EUA pensarão que não haverá mais a fazer e tentarão obter uma reação iraniana no sentido negocial".
"Os países do Golfo não querem entrar no conflito porque têm Israel a fazer o trabalho que eles querem que seja feito. Todos os países da região querem que o programa de mísseis desapareça", diz Márcia Rodrigues. A jornalista da RTP reforça: “querem que EUA e Israel bombardeiem todo o programa".
As intenções de Donald Trump com a intervenção no Irão deixam dúvidas aos vários especialistas. Para Francisco Pereira Coutinho, professor na Nova School of Law e especialista em Direito Internacional “este é um conflito muito absurdo Está a correr mal, por isso vemos os americanos como baratas tontas a reformularem objetivos”. E acrescenta: “isto não faz nenhum sentido estratégico para os EUA e, portanto, vai ser muito difícil para ele (Trump) ter uma vitória rápida, a não ser que os iranianos lha deem".
Na opinião de Joana Ricarte “os EUA não têm interesse na queda ou na manutenção do regime iraniano, mas sim na sua capitulação”. A investigadora no Centro de Estudos Interdisciplinares da Universidade de Coimbra, entende que “Trump deixa muito claro que o que interessa é que haja uma subjugação aos interesses dos EUA: económicos, políticos, geoestratégicos e militares".
Apesar dos desejos do Presidente norte-americano, Felipe Pathé Duarte, que integra missão da Comissão Europeia para a prevenção da radicalização e dos extremismos violentos, “a possibilidade de haver uma alteração ao regime é muito difícil. E para que venha a acontecer o colapso do regime é preciso uma degradação significativa da capacidade coerciva do Estado e são necessárias divisões visíveis entre elite, forças de segurança e forças armadas”. “Mas isso é pouco provável que venha a acontecer", defende.
Nuno Gouveia, especialista em política norte-americana, chama a atenção para as reações internas à decisão de Trump. “Existe uma grande oposição na sociedade americana a esta intervenção. A própria base do partido de Trump começa a resistir. Existem muitas críticas de gente que sempre o apoiou”. E entende que o Presidente dos EUA “tentará acabar com esta guerra em quatro ou cinco semanas. Até porque vão começar a chegar aos Estados Unidos caixões com soldados americanos".
Milhões de iranianos, dentro ou fora do país, esperam que o regime mude. Querem democracia, liberdade e paz. Estão fartos das prisões, tortura e da falta de respeito pelos direitos humanos. A jornalista Cristina Borges foi ouvir Solmaze, republicana, e Ramin, monárquico, para ouvir sonhos e esperanças. O programa Consulta Pública é moderado pelo jornalista Frederico Moreno.